Frei Luiz
Enviado por Visitante em 04/12/2010 20:31:34 ( 6588 leituras )

 

A Vida de Frei Luiz

 

Frei Luiz, sumamente modesto e humilde, não gostaria que ficássemos falando dele e elogiando-o . Mas é preciso que todos, especialmente os membros mais novos de nosso grupo, conheçam a vida e a obra de nosso benfeitor para aprendermos com ele as lições de bondade, devotando, humildade e serviço de que sua vida foi um exemplo maravilhoso.



Nós procuramos dados sobre a vida de Frei Luiz em diversos livros:


• "Forças do Espírito".

• "Frei Luiz, o Operário do Brasil"

Ambos da autoria do nosso querido Dr. Rocha Lima, presidente e fundador do Lar de Frei Luiz;

 • Na biografia "Frei Luiz, o Inesquecível" de Célia de Goes, escritora católica.

• Na biografia "Frei Luiz", de Américo M. de Oliveira Castro, que foi grande amigo de Frei Luiz, conviveu com ele e teve sua filha restaurada em sua saúde por duas vezes através de suas bênçãos, diz-nos Américo M. de O. Castro, em sua biografia, que " por onde Frei Luiz passava, ficava um sulco de caridade, e a solidariedade cristã se revestia de forma tangível." 

E continua o autor: "a caridade era sua grande isca e sua chave encantada; mas não era a simples caridade do dar; era a caridade no consolar, no animar e no tranqüilizar. Vi-o tantas vezes na faina, em circunstancias bem duras, bem cruéis. Através de suas palavras perpassava um sopro de tão calorosa compartilha no sofrimento, que esta comunhão no
carregar o fardo das torturas da alma e do corpo como que aliviava o infeliz!

Baseada nestas obras e no testemunho de pessoas que conheceram Frei Luiz, procuramos trazer a vocês uma idéia de sua personalidade, de seu grupo de trabalho e de como ele criou nosso grupo. Foi no dia 29 de junho de 1947 , portanto há mais de cinqüenta anos, que ele veio dar ao nosso primeiro presidente e fundador de nossa obra Dr. Luiz da Rocha Lima, a orientação para a missão que ele prontamente aceitou e levou a cabo com enorme abnegação.
Este relato consta no livro Forças do Espírito, 4aedição, nas páginas 57, 58 e 59.

Frei Luiz já se havia manifestado àquele grupo de médiuns outras vezes através de Dr. Rocha Lima, de quem é grande amigo e com quem teve sempre grande afinidade vibratória.

Escreve Dr. Rocha Lima: "a reunião de 29 de junho de 1947 seria, entretanto, aquela que traçaria um dos destinos fundamentais do grupo; o destino que lhe daria uma das precípuas finalidades, talvez a que, por sua natureza filantrópica, devesse constituir o alicerce mais sólido de sua organização, num futuro que se projetaria por mais de duas décadas, como ocorreu: a finalidade da criação e manutenção de um educandário que, afinal, veio a ter a denominação de "Lar de Frei Luiz". Era como se estivesse tudo preparado lá no Alto, para que, naquele dia 29 de Junho, tivesse nascimento o projeto da instituição de caridade, tal como, em igual data do longínquo ano de 1872, tivera nascimento, na Alemanha, o nosso Frei Luiz, (Theodoro Henrique Reinke), o taumaturgo de Petrópolis - RJ!"

Conta-nos Dr. Rocha Lima que foi uma reunião emocionantíssima, na qual se expressaram também Frei Norberto e Frei Leonardo com palavras de estímulo e carinho. "Manifestou-se, então, Frei Luiz, "continua Dr. Rocha Lima, "bondoso, meigo, aconselhador; a princípio fazendo uma referência ao Apóstolo Pedro, pelo transcurso do dia 29 de junho, esquecendo-se, humildemente, de que também ele, Frei Luiz, era homenageado na data, que era a do seu natalício, na cidade alemã de Marienfield, em 1872. Em seguida, tecendo um comentário muito oportuno a Solon, o célebre legislador ateniense, que, sendo um dos sete sábios da Grécia, não se julgava tal, mas, muito ao contrário, uma alma a perlustrar a senda do aprendizado, deu ao grupo uma lição de modéstia e de simplicidade, afirmando que todos no mundo são sobrecarregados de dívidas morais e espirituais e de devedores da Lei de Deus! por fim, sentencioso e imperativo, tal qual Solon quando, diante dos sete sábios da Grécia interrogou : Qual a nossa finalidade?, afirmou: - Nossa finalidade é a construção de um lar para
criancinhas órfãs, desamparadas! Esta obra já se acha estereotipada no espaço, tendo você e outros irmãos que virão integrar-se ao grupo, assumindo esta grande responsabilidade de realizá-la, como resgate de suas dívidas passadas no pretérito. Esperem e confiem em Deus.

Vocês ainda a verão realizada. Ela está amparada pelo Pai e por Jesus!

Estava assim lançada a idéia fundamental de nossa organização, a idéia que iria dar a estrutura verdadeiramente social a um grupo de irmãos unidos pelo espírito e cujo número iria crescer paulatinamente até atingir ao considerável quadro de médiuns de todo gênero e de espíritas dedicados ao grupo e aos seus mais diversos e nobres desideratos, que atualmente se irmanam em torno da imagem espiritual de Frei Luiz e sob a égide de sua sabedoria!! " E Dr. Rocha Lima, D. Astéria, sua esposa, e um pequeno grupo de irmãos aceitaram a missão
e a levaram à frente, construindo tudo que temos até hoje!

Vejam, meus irmãos, como é sagrada a missão deste grupo e como tudo que aqui se faz é orientado pelo Alto. Cabe a nós, unidos, amigos leais, como nos diz a música de Luizinho, trabalhar e ajudar nosso atual presidente na realização dos objetivos que ainda nos faltam alcançar; objetivos que não são nossos, mas de Frei Luiz e de Jesus!

Mas voltemos a falar de Frei Luiz. Frei Luiz nasceu, como todos sabem, em 29 de junho de 1872 na aldeia de Marienfield (que quer dizer campo de Maria), na região de Westfalia, na Alemanha. E desencarnou no dia 8 de abril de 1937 em Petrópolis com quase 65 anos. Desses 65 anos de vida, ele passou 43 no Brasil porque chegou aqui, à Bahia, em 10 de julho de 1894 com 22 anos, como noviço franciscano. Dominou muito bem nosso idioma. Falava e escrevia o Português com desenvoltura, tendo adotado o Brasil como sua pátria. Seus pais foram Herman Reinke e Maria Reinke, católicos convictos, em uma Alemanha
dominada, na época, pela prepotência prussiana e por um regime militarista.
A família Reinke, de camponeses, muito antiga na região, vivia dos produtos do campo em sua propriedade rural com seus vizinhos.
O casal Reinke tinha apenas uma filha, Gertrudes, de 14 anos, quando nasceu seu filho varão, a quem deram o nome de Theodoro Henrique, que mais tarde, na carreira sacerdotal seria trocada. Logo após o nascimento do menino, seu pai, Herman Reinke faleceu, deixando sua educação entregue à mãe e à irmã. Enquanto sua mãe Maria ficava muito ocupada em cuidar da propriedade, o pequeno Theodoro Henrique ficava aos cuidados da irmã que, inexperiente,
levava a extremos sua responsabilidade. Julgando fazer o melhor pelo irmão ela era muito severa e rigorosa com ele.

Por isso nosso meigo e bondoso Frei Luiz só conheceu na infância rigor e até castigos corporais!

A mãe de Frei Luiz, Maria Reinke, era médium, como seu filho demonstrou ser também, desde cedo. Ela previa acontecimentos tais como temporais e mortes, localizava por vidência animais desgarrados no campo, etc.

Ao tempo da meninice de Frei Luiz, as escolas primárias e secundárias católicas haviam sido fechadas pelo governo e as leigas, segundo o regime prussiano, tinham como objetivo transformar cada aluno em um soldado. Para isso promoviam lutas entre grupos de alunos e como Frei Luiz, de temperamento tão bom, recusava-se a lutar contra seus companheiros, apanhava de vara e varapau.

Dos 8 aos 14 anos (de 1880 até 1886) ele foi obrigado a cursar a escola local, passando por todos esses sofrimentos.

Desde aquela época, Frei Luiz, através de sua mediunidade, "sonhava" com um frade de hábito marrom, trazendo ao colo um menino muito iluminado e "via" também uma terra distante, cheia de flores azuis, com montes elevados e de clima frio, para onde ele vagamente "sentia" que iria um dia.

Finalmente, em 1887 a Alemanha se submeteu ao Papa e o menino pode receber do vigário local suas primeiras aulas de religião católica, logo demonstrando vocação para o sacerdócio. E com muita tenacidade consegue vencer a oposição da mãe que o queria à frente da propriedade, cuidando da fazenda.

Assim, em 1890, com 18 anos, ele parte para o Colégio Seráfico de Harreveld na Holanda, da ordem de São Francisco de Assis. Em maio de 1894, Theodoro Henrique Reinke recebe o hábito de noviço franciscano e troca seu nome para Frater Aloysius (irmão Aloysio), que mais tarde, no nordeste do Brasil será simplificado para Frei Luiz.

Ele foi o 1o aluno do seminário do Harreveld, inteligente e brilhante, segundo Frei Ciríaco que o escolheu juntamente com outros quarenta jovens para serem missionários no Brasil.

Frei Luiz e seu grupo embarcaram para o Brasil em 21 de junho de 1894 no vapor alemão "Argentina" partindo de Hamburgo. Chegam à Bahia em 10 de julho e vão para o Convento de São Francisco de Assis que fica em um morro denominado o porto. O convento é fechado, parecendo uma fortaleza. Frei Luiz, porém, mesmo vindo para a missão, não reconhece o lugar de suas vidências de menino...

Estava ele, então com 22 anos; um jovem alto e magro, de aparência frágil, como relatou Frei Estanislau ao biógrafo Américo M. de Oliveira Castro.
 

Infelizmente, as condições sanitárias no Brasil naquela época não eram muito boas e o jovem Frei Luiz, atacado por mosquitos, desenvolve febre amarela. Quando se recupera, ainda debilitado, adquire beribéri e logo após, tuberculose! Vai se enfraquecendo cada vez mais e chega a ter hemoptises! O Alto, porém, sempre vela por aqueles que têm boa vontade e praticam o bem! O que aconteceu então foi narrado pelo próprio Frei Luiz a seu amigo biógrafo Américo M. Oliveira Castro, e por isso não podemos por o fato em dúvida.

Certa tarde, quando Frei Luiz doente e fraco, estava sentado à sombra de uma mangueira no pomar, viu chegar perto dele um velhinho, simplesmente vestido, que lhe disse (como se estivesse lendo seus pensamentos) que não desanimasse: ficaria curado se tomasse de um só trago o conteúdo leitoso de um vidro que tirou do bolso. Ante o olhar brilhante e incisivo do velhinho e de sua suavidade paternal, Frei Luiz, persuadido, aceitou o convite e bebeu o
estranho remédio!

O velhinho sorriu e afastou-se...

Mais tarde, por mais que perguntasse, Frei Luiz não conseguiu identificar seu benfeitor - ninguém sequer o vira e o porteiro não deixara pessoa alguma entrar...

Certamente tratava-se de uma entidade materializada trazendo do Espaço, o remédio necessário, pois, logo após, os escarros de sangue cessaram e Frei Luiz se curou.

Pergunta-se se o estranho líquido não conteria também a seiva da planta "aveloz" tão comum no nordeste e tão útil no tratamento de diversas enfermidades, até do câncer...

Recuperado, Frei Luiz vai então para Olinda, onde termina seu noviciado. Completa seus estudos na cidade próxima de Ipojuca e vai receber as chamadas Ordens Maiores de Subdiácono e Diácono em Recife.
Então, por causa da sua saúde precária devido às doenças que sofrera, é recomendada sua transferência para um local de clima mais saudável e ele chega à Petrópolis em 02 de janeiro de 1900 onde finalmente reconhece o lugar dos sonhos e das visões de sua meninice!

Vai morar no Convento Franciscano do Sagrado Coração de Jesus anexo à igreja do mesmo nome. Lá, com 28 anos, ele se ordena sacerdote em 24 de janeiro de 1900 e reza sua 1a missa em 4 de março do mesmo ano.

A partir de então, Frei Luiz se dedica a orientar, auxiliar e visitar todos os necessitados da região. E não se restringe a Petrópolis; estende seu ministério a Correias, Nogueira, Araras e Itaipava, não importando a distância ou as dificuldades do caminho!

Sobre seu trabalho, escreve Carolina Nabuco em seu livro "Oito Décadas" (que Dr. Rocha Lima transcreveu em "Frei Luiz o Operário do Brasil") :

"Pelas ruas de Petrópolis circula ainda em minha memória uma figura que venerei; a de um franciscano, Frei Luiz Reinke. Desde o veranista mais ilustre até o último rústico dos morros, Petrópolis toda tinha-o no coração. Durante mais de trinta anos gozei de sua amizade carinhosa. Habituei-me a vê-lo sempre correndo pelas ruas, apressando-se em atender a um qualquer chamado, sempre em busca de dores a aliviar."..." Sua missa era de 20 minutos, seguida às terças-feiras, pela bênção de Santo Antônio que ele dava aspergindo água-benta
com uma rosa que, no final, era recolhida como relíquia por alguém da assistência."

..."Duas gerações de petropolitanos conheceram e saudaram-lhe a figura. Nos primeiros tempos mantinham distância, em virtude de seu hábito e postura sacerdotal, respeitosamente.

Passados os primeiros contatos, sobrevinha uma atmosfera amorosa, como que atraindo as crianças, à semelhança do néctar das flores às borboletas. Superava-se, então, a dificuldade de comunicação. As crianças corriam a pedir-lhe a bênção e os adultos lhe ofereciam condução para os chamados naqueles velhos tilburis" . (espécie de pequena charrete puxada por um só cavalo.)...

Uma característica sua era o uso, quase abusivo dos diminutivos que eram uma emanação de seu sentimento paternal por todos, nos conta Carolina Nabuco: "Todas as idades recebiam o seu amparo. A idosa se sentia criança ao ouvi-lo dizer - Você está muito idosazinha, minha filhinha. Os filhinhos e filhinhas, os Josezinhos e Mariazinhas eram outorgados a quem nunca tinha recebido esses apelidos. "... "dirigidos com a mesma naturalidade a um preto velho ou a
um magnata da política. "... 

"Até ao maior inimigo de Deus, portanto o Demônio, ouvi Frei Luiz chamar do púlpito como - o pretinho do Diabinho"!...

"Frei Luiz tinha pré-ciência de fatos e tinha antenas para receber misteriosamente não só o sentir alheio, mas acontecimentos por telepatia, chegando por exemplo em casa amiga em hora especialmente matinal, dizendo - senti que as filhinhas precisavam de mim - logo antes um telefonema do Rio avisando de um doente; doença mortal em pessoa da família."

Conta-nos Américo M. de Oliveira Castro que certa vez estando Frei Luiz em sua casa, sua esposa perguntou-lhe se havia sido chamado para visitar um amigo da família o comandante Leopoldo da Nóbrega Moreira que estava muito mal Frei Luiz disse que não havia sido chamado, mas pôs-se a orar, recolhido em silêncio. Após alguns minutos disse, olhando o relógio angustiado: Ah! A essa hora o Comandante está passando revista aos anjos! Poucos minutos depois, o telefone tocou dando a noticia da morte do comandante. Para realizar seu trabalho, Frei Luiz tinha que ir a pé, ou de condução comum com seu andar
vigoroso. Sabendo disso, o dono da fazenda Santa Fé, em Areal, Dr. Gerônimo de Castro, deu-lhe um belo cavalo branco - o Batalha - e mais tarde, quando este morreu, um outro, baio - o Guarani.

Frei Luiz adorava os animais e muitas vezes desmontava para poupar os cavalos, e subia íngremes encostas a pé! Amava também os cães, os pássaros, as abelhas e até as formigas. Sobre seu trabalho nesse tempo. Frei Luiz guardava carinhosas lembranças, como, por exemplo, de suas visitas ao distante bairro de Mato Grosso que era uma verdadeira floresta! Lá moravam os fabricantes de carvão vegetal - os carvoeiros - ariscos, desconfiados dos visitantes, mas que logo foram conquistados pelo amor e dedicação de Frei Luiz, tendo chegado até a construir uma capelinha onde ele ia oficiar, rezar missas e realizar casamentos,
muitas vezes em conjunto, cristianizando uniões já existentes. Depois, todos dançavam ao som da viola quando os carvoeiros, em sua simplicidade, queriam que Frei Luiz também dançasse!

Ao que ele sempre se esquivava dizendo: "mais tarde, meus filhinhos" "Depois, depois..." até que eles se esqueciam.

Tão bem se saiu Frei Luiz em seu ministério, que Dom Silvério, bispo de Mariana, resolveu chamá-lo para ser vigário na cidade mineira de Bicas, em 1902, e embora ele preferisse ficar na sua querida Petrópolis, parte obedientemente. Lá, como sempre, seu sucesso é enorme; "sua fé, sua paciência e sua ardente caridade lhe granjeiam o carinho e o respeito de todos", nos diz Célia de Goes.

E tão eficiente se mostra que o Bispo de Petrópolis, Dom João Braga, o chama de volta e o nomeia seu secretário! Assim, ele volta as suas queridas montanhas e vales floridos e a seus paroquianos. 

Antes de prosseguirmos falando dessa segunda fase de seu ministério é interessante fazermos um parênteses para comentar sobre a personalidade de Frei Luiz, que era bondoso, muito simples e modesto, de gestos suaves e serenos, aparentando até certa timidez, mais recato do que outra coisa, mas nos momentos precisos demonstrava coragem, firmeza e sangue frio, como durante os vários atentados que sofreu, ou apaziguando comícios de operários..
Vale dizer também que não devemos ver em Frei Luiz somente a bondade e a dedicação aos necessitados: essa é uma das facetas de sua personalidade, entre muitas outras!

Sabemos que seu trabalho no campo religioso, como sacerdote franciscano foi maravilhoso e lhe granjeou o carinho e a gratidão de todos que o conheciam.
Ele foi também grande médium. Devido a sua pureza, bondade e ligação com Deus, ele se tornou um canal através do qual podia fluir o auxílio divino aos que mereciam. Muitas de suas bênçãos se transformavam em passes curadores. Como exemplos podemos citar o caso da Sra. Iracema Grunervald. Ela, ao sair da mercearia onde trabalhava para almoçar em casa, encontrou Frei Luiz e pediu-lhe a bênção. Ela sofria de constantes e fortes enxaquecas e neste
dia estava sentindo muita dor. Frei Luiz percebeu o fato e lhe disse: "Minha filha, você está sofrendo de terríveis dores de cabeça. Vou curá-la para toda vida. Aplicou-lhe passes na cabeça (impôs as mãos sobre sua cabeça) e ela ficou imediatamente curada até hoje, quando já tem 70 anos, nos relata Dr. Rocha Lima em seu livro.

De outra feita, procurado pelo pai de uma moça obsidiada que se trancava no quarto, despida e agressiva, disse-lhe: "Traga-me uma camisola que ela já tenha usado." Frei Luiz a abençoou fazendo o sinal da cruz, dizendo-lhe: "Vá com absoluta fé em Jesus, leve-a a sua filha, vestindo-a." Assim aconteceu e a moça ficou curada.

Em outro caso Frei Luiz foi chamado para ajudar outra moça obsidiada que morava no bairro de Mosela. Ela ficava constantemente atuada, passando mal. Padres eram chamados para exorcizá-la sem sucesso e alegavam que ela estava possessa do "Diabo".

Certo dia, Frei Luiz foi chamado para atendê-la e utilizando sua percepção mediúnica e a grande bondade de seu coração logo conseguiu conhecer e atender ao "obsessor", que não era outro senão o avô da mocinha! Quando desencarnara, ele havia escondido vários contos de réis destinados aos pobres atrás da estampa de um quadro da sala de estar. Ele vinha procurando comunicar-se com a neta para que o dinheiro fosse finalmente entregue aos necessitados! Ela, jovem médium ainda despreparada e ignorando tudo a respeito das comunicações, não conseguia sintonizar bem com as vibrações do avô. Somente sentia sua influência e passava mal! O dinheiro foi achado no local indicado, destinado aos pobres como o espírito desejava, e a mocinha ficou
plenamente sã!

Outra faceta importante de sua vida é seu trabalho no campo social em prol dos operários em Petrópolis nos anos que se seguiram à 1a Guerra Mundial, de 1914 a 1918. Preocupado com a irreligiosidade que grassava no mundo e com o avanço do comunismo, ele fundou em Petrópolis o "Centro Católico" que visava reunir os trabalhadores da cidade em moldes cristãos. Editavam também um jornal chamado "Centro".

Para as mulheres, ele criou a "Obra das Filhas do Sagrado Coração" em um grande salão onde elas recebiam além da orientação religiosa, aulas de corte, costura e bordado.

O "Centro Católico" tinha até um salão para a projeção de filmes para seus associados!

Infelizmente, mais tarde, por falta de apoio financeiro, o "Centro" teve que ser fechado...

Um terceiro aspecto da personalidade de Frei Luiz nos mostra sua grande cultura e intelectualidade. Dominando perfeitamente o português, Frei Luiz, em 1905, cinco anos após ter recebido as chamadas Ordens Maiores, dedica-se ao estudo da vida de seu protetor, Antônio de Pádua e escreve "Vida e Culto de Santo Antônio", que recebeu elogios até do grande poeta e literato Conde de Afonso Celso.

 

Segunda parte

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